"A chegada do presidente Juscelino, em sua segunda viagem ao local da futura Capital do País, no Planalto Goiano, para inaugurar o 'palácio de tábuas' (o Catetinho), é das mais concorridas. Além dos seus amigos pioneiros, que haviam edificado aquele ‘palácio’ em dez dias, grande número de autoridades goianas e gente da sociedade de Goiás, bem assim algumas poucas pessoas que já trabalhavam na obra de Brasília, vão recebê-lo. Entre as autoridades, o governador Juca Ludovico e o senador Pedro Ludovico.
É um sábado aquele 10 de novembro de 56.
Esta é a primeira vez que o 'douglas' presidencial pode pousar no campo da Fazenda do Gama, de vez que a patrol vinda de Araxá ampliou e melhorou consideravelmente a pista. E os serviços de rádio-farol e telegrafia da ‘Panair do Brasil’, já instalados, oferecem melhores condições ao tráfego aéreo.
A inauguração do Catetinho constituiu um ato simples. O Presidente chega já ao meio-dia e, logo após desembarcar, é servido um almoço comemorativo, no térreo do 'palácio de tábuas'. A chuva que cai sobre o Planalto não permite qualquer ato comemorativo.
Juscelino, logo que vê a edificação, manifesta seu agrado. O que mais lhe impressiona é a simplicidade das instalações, sem que faltassem as condições essenciais de habitabilidade.
Comentando e elogiando a edificação daquele ‘palácio’, o Presidente faz uma reflexão, declarando:
- Se meus amigos praticaram este milagre em tempo recorde, apenas com idealismo e sem recursos oficiais, por que não poderei construir a nova Capital, já que disponho, no Governo, de toda uma infra-estrutura administrativa e de recursos financeiros? ... (...)
JUSCELINO INSPECIONA AS OBRAS
Logo após o almoço comemorativo à inauguração da residência presidencial provisória, o Catetinho, no local onde seria construída a futura capital do País, em terras do Planalto Goiano, o presidente Juscelino Kubitschek percorre, num jipe, durante cinco horas, os principais pontos estratégicos da região da nova Capital, sob uma chuva incessante. É o dia 10 de novembro de 1956. (...)
UM MOMENTO CÍVICO
No dia da inauguração do Catetinho, a primeira edificação da futura Capital do País, em terras do Planalto Goiano, o Presidente Juscelino aproveita o anoitecer daquele 10 de novembro de 56 para colocar em dia um vasto expediente administrativo. Assina decretos e expede despachos, assistido pelos coronéis Lino Teixeira e Dilermando Silva.
Com Israel Pinheiro, trata, demoradamente, de assuntos relacionados à construção de Brasília. (...)
Na alvorada do dia seguinte, 11 de novembro de 1956, o Presidente acorda cedo, pois deveria atender compromissos no Rio de Janeiro.
Antes de embarcar, porém, comparece, ao raiar do sol, a um ato cívico. As duas hastes de ferro que sustentam as antenas de transmissão da estação da Panair do Brasil aguardam, respectivamente, o Pavilhão Nacional e a andeira do Presidente da República. Enquanto o símbolo nacional se ergue, lentamente, nos céus do Planalto Goiano, todos cantam:
- Ouviram do Ipiranga às margens plácidas
De um povo heróico o brado retumbante
E o sol da liberdade, em raios fúlgidos,
Brilhou no céu da Pátria neste instante.
Para os que viveram aquele momento, aquele verso do Hino Nacional tinha o sentido de um segundo Grito do Ipiranga."1