PREFÁCIO



Tenho enorme satisfação e honra em escrever o prefácio deste livre sobre o episódio da construção do Catetinho.

Mineiro de nascimento e candango de coração observo que, passados mais de cinqüenta anos do início da construção de Brasília, ainda há diversas histórias a serem contadas sobre o trabalho heróico dos pioneiros.

São exemplos que vêm do passado para mostrar às gerações presente e futura a coragem e determinação do nosso povo. Registrar a saga dos pioneiros é um gesto de patriotismo.

Mais que um simples Palácio de Tábuas e primeira construção de Brasília, o Catetinho é símbolo do ideal, desprendimento, bravura e força daqueles que atenderam ao chamado do presidente Juscelino Kubitschek, para criar a Nova Capital, em pleno coração do Brasil.

Nascido da idéia de um grupo de amigos em dar um pouso mais digno ao presidente, o monumento destaca-se como precursor da odisséia da construção de Brasília. Com ousadia, os idealizadores souberam superar inúmeras dificuldades para transformar sonhos em realidade.

Engenheiros e operários ergueram com suor e sacrifício o Catetinho em tempo recorde. Nas palavras do próprio presidente, foi a flama inspiradora que lhe ajudou a levar à frente a idéia de transferência da sede do Governo, contra o pessimismo, a descrença e a oposição de milhões de pessoas.

A construção de madeira retratou o pioneirismo, a ânsia de progresso, o espírito realizador e a superação presentes naqueles que ousavam desafiar o espírito de descrença ainda existente em alguns setores do país em relação à Nova Capital. Ela representou uma demonstração de fé nos novos destinos da nação, irradiou otimismo pelos diversos rincões da nossa Pátria.

Ahilton Guimarães contribui para manter viva a nossa memória. Filho de uma cidade repleta de fatos marcantes, o autor traz a tona o esforço dos araxaenses que participaram da construção do Catetinho. Ele tira esses brasileiros do anonimato e lhes confere um lugar nas histórias de Brasília e do Brasil.

Com uma linguagem simples e direta. Ahilton Guimarães leva o leitor a viajar no tempo e a vivenciar a epopéia daquele episódio. Como o próprio escritor menciona, a presente obra é um resgate da façanha levada a cabo por trabalhadores de Araxá, na sua grande maioria operários da antiga empresa de mineração Fertilizantes Minas Gerais S.A. (FERTISA), e acabou por unir a história da cidade mineira à de Brasília.

De acordo com pesquisadores, o nome Araxás é proveniente de uma tribo indígena que vivia no extremo oeste de Minas Gerais. Em tupi-guarani, a palavra também significa lugar onde primeiro se vê o sol.

Aqueles trabalhadores araxaenses, fizeram jus ao nome de sua cidade natal, foram os primeiros a ver o sol que nascia em pleno Planalto Central - Brasília, Patrimônio da Humanidade.

Como amante e entusiasta de Brasília, agradeço ao autor o esforço pra difundir a prodigiosa história da transferência da capital para o centro-oeste.

O legado dos pioneiros deve ser mantido aceso para servir de exemplo. Eles participaram de uma página alicerçada na crença de um futuro melhor pra o nosso País. Manter viva a nossa memória é uma forma de fortalecer a nossa identidade.


Brasília, em 15 de agosto de 2008.


Paulo Octávio

Vice-Governador do DF e Conselheiro do Memorial JK

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